Muitas mudanças não fracassam por falta de vontade, mas por desconhecermos como os hábitos realmente se formam e se sustentam. Este artigo explora alguns aspectos por trás dos comportamentos que tentamos mudar.
Neste artigo, você vai entender:
- Por que força de vontade, sozinha, não sustenta mudanças profundas
- Como hábitos podem surgir tanto da repetição quanto de momentos desafiadores da vida
- O papel da energia e do ambiente na mudança dos hábitos
- Por que trocar um comportamento por outro é mais eficaz do que apenas tentar eliminá-lo

Outro dia, conversando com uma amiga escaladora sobre hábitos e comportamentos, ela comentou que está parando de fumar tabaco. O mais desafiador, segundo ela, não é apenas deixar o cigarro, mas desassociar um hábito do outro.
Ela explicou que, há cerca de 30 anos, fumar fazia parte de um ritual automático: comer algo doce ou salgado e, logo em seguida, fumar. Essa repetição prolongada cria padrões que passam a funcionar sozinhos, quase como se tivessem vida própria. Na ciência Yóguica, chamamos esses registros de samskaras: impressões mentais e energéticas formadas pela repetição.
Mas nem todo comportamento nasce apenas da repetição. Muitos surgem como resposta a momentos desafiadores da vida. Em fases de dor, perda, insegurança ou estresse, podemos desenvolver hábitos de forma inconsciente como estratégias de autoproteção, tentando suavizar dores que não sabíamos como sustentar internamente. Esses comportamentos não começam como vícios, mas como tentativas de cuidado. Com o tempo, porém, aquilo que um dia protegeu passa a aprisionar.
Quanto mais tempo um comportamento é repetido, menos ele depende de decisão consciente. Ele simplesmente acontece.
O limite da força de vontade
Recentemente, conversei também com um familiar que havia conseguido parar de fumar por oito meses, mas acabou retomando o hábito. Ele relatou que, apesar de muita disciplina e força de vontade, manter a mudança foi extremamente desafiador.
Essa experiência não é isolada. Todos os anos, especialmente em janeiro, vemos pessoas cheias de projetos de mudança de vida que não se sustentam ao longo dos meses. Dietas, exercícios, novos hábitos e promessas internas que começam com força total e vão se dissolvendo com o tempo.
O motivo é simples: força de vontade tem limite e sozinha não sustenta mudanças profundamente enraizadas.
Mudança exige energia, não só decisão
Quando falamos de comportamentos repetidos por anos ou décadas, estamos lidando com algo que vai além da mente racional. Existe um componente energético envolvido. Para mudar um padrão antigo, é necessário mais energia disponível do que aquela que mantém o hábito funcionando.
Na tradição do Yoga, essa energia pode ser cultivada por meio de determinadas práticas yóguicas ou respirações conscientes para encher o seu corpo de prana. Essas ferramentas não atuam apenas no nível intelectual, mas reorganizam o sistema como um todo, corpo, mente, emoções e energia, criando condições reais para a mudança acontecer.
Mudanças se sustentam melhor quando não tentamos apenas retirar um hábito, mas quando colocamos algo no lugar, especialmente quando não sabemos lidar com o tédio ou ficar sozinhos com nossos pensamentos. Sem esse redirecionamento, a pessoa até tenta mudar, mas vive em constante luta interna.
O papel invisível do ambiente
Tanto minha amiga quanto meu familiar cometeram um erro comum em processos de mudança: não mudar o ambiente.
Minha amiga tenta parar de fumar, mas continua escalando com pessoas que fumam. Meu familiar deixou o cigarro, mas manteve a rotina de sair à noite, frequentar bares e assistir jogos de futebol em contextos fortemente associados ao consumo de álcool e tabaco.
O ambiente reforça hábitos. Ele ativa memórias, sensações e associações emocionais. Esperar mudar profundamente sem alterar o contexto ao redor é como nadar contra a corrente o tempo todo.
Já observou como você volta a ter certos comportamentos quando volta para a casa dos seus pais?
Energia e ambiente caminham juntos
Qualquer mudança duradoura precisa considerar dois pilares fundamentais:
- Energia disponível para sustentar o processo
- Ambiente favorável, que não sabote a transformação
Ignorar um desses fatores torna a mudança frágil, instável e exaustiva.
É justamente por isso que processos imersivos e bem estruturados tendem a ser mais eficazes para quem busca transformação sobre um hábito ou comportamento muito enraizado. No caso do Origens, o trabalho acontece em dois níveis ao mesmo tempo: práticas Yóguicas e meditativas que elevam a energia, e um ambiente cuidadosamente construído para apoiar novas escolhas.
Quando energia e ambiente estão alinhados, a mudança deixa de ser uma guerra interna e passa a acontecer de forma mais orgânica e sustentável.
Transformação não é apenas querer diferente. É criar as condições certas para viver diferente.




